REFLEXÕES

Olá...

Nada como começar a semana com uma reflexão. Um grande amigo do Rio de Janeiro enviou um texto sobre o amor, os relacionamentos na Modernidade Posterior (ou Tardia, para alguns) e decidi postar aqui. Espero que gostem e reflitam. Abração para
tod@s.



AMOR MODERNO
(Por Flavio Gikovate)


Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início desse milênio. As relações também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualmente respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar. A idéia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasce com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da promessa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre um processo de despersonalização que historicamente tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino.
A teoria entre opostos também vem dessa raiz. O outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência e pouco romântica. A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo companhia, mas não preciso – o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas não inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente fração. Não é príncipe ou salvador de coisa alguma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir reciclando para se adaptar ao mundo em que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguiram trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são parecidas com o “ficar sozinho”. Ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nossos modos de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...
Clipart: Arquivo Pessoal

3 comentários:

tatiana disse...

Adorei o texto, só prova que a questõ do gênero é cultural!!

Anônimo disse...

Passando para parabenizar pelo blog e deixar minha visita registrada. Muito sucesso pra vc e conte sempre comigo.
Abs. Gi

Luciane disse...

Maaaaaaaaassa...quer dizer muito bom rsrs...